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Capacitação Promove uma Extracção de Ouro Menos Poluente e Perigosa

É mais barato, menos tóxico e permite extrair quase o dobro do ouro. Em Cabo Delgado, os mineradores artesanais estão a aprender a substituir o mercúrio pelo borato de sódio (bórax).

Direito à saúde , Direitos ambientais , Mineração artesanal

O mercúrio, tradicionalmente usado na extracção artesanal de ouro, é altamente tóxico, poluente e perigoso para a saúde pública e meio ambiente.

O uso do mercúrio na extracção de ouro tem sido uma das maiores causas dos problemas de saúde observados nos trabalhadores das minas, mas também da população em geral. O mercúrio é um metal pesado, altamente tóxico e poluente. Os vapores libertados em resultado da queima da amálgama (mistura do minério e do mercúrio) são extremamente perigosos quando inalados. Ao mesmo tempo, o processo de extracção com mercúrio envolve um grande risco de contaminação da água que serve as populações e que dela fazem uso para beber, cozinhar e regar as hortas, daqui resultando graves intoxicações. Psicose, ansiedade, depressão, pneumonia e danos permanentes no cérebro e nervos são algumas das consequências da exposição ao mercúrio o que, juntando-se ao forte impacto causado no meio ambiente, torna imperativa a sua banição.

 

Em 2017, a medicusmundi, em parceria com o Centro Terra Viva e no âmbito do projecto “Mineração Artesanal: Direitos Ambientais e Culturais em Cabo Delgado”, financiado pela União Europeia, iniciou um ciclo formativo destinado aos mineradores artesanais do distritos de Ancuabe, Montepuez e Namuno com o intuito de introduzir metodologias de extracção de ouro alternativas mais “limpas” e seguras. Desde então, os mineradores têm sido incentivados a abandonar o uso do mercúrio e a recorrer ao borato de sódio (bórax) em sua substituição. O bórax é uma substância não contaminante, mais barata, de aquisição legal (ao contrário do mercúrio, cuja venda é proibida) e que permite extrair uma quantidade de ouro consideravelmente maior.

 

O processamento artesanal de ouro usando bórax segue a mesma sequência de tarefas já antes conhecida e usada pelos mineiros artesanais, havendo diferença em algumas técnicas aplicadas para o melhoramento do rendimento na captação do ouro. No processo de formação são também sugeridos outros métodos alternativos, como a substituição do moinho de bolas a seco, usado na trituração das rochas, pelos moinhos húmidos, como forma de reduzir o barulho (e os problemas auditivos daí decorrentes), diminuir o desperdício de ouro e evitar a libertação de poeiras com metais pesados que, quando inalados, são prejudiciais à saúde.

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