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Documentário "A Febre do Ouro" galardoado com mais de uma dezena de prémios internacionais

Um inquietante filme que mostra a realidade da mineração artesanal em Cabo Delgado

Em Cabo Delgado, a pobreza extrema da população convive, lado a lado, com a imensa riqueza do subsolo.

"O meu país é rico, mas eu não". Esta é talvez uma das mais poderosas afirmações que nos traz o documentário "A Febre do Ouro" e que melhor ilustra a dualidade da mineração artesanal em Moçambique. Em Cabo Delgado, a pobreza extrema da população convive, lado a lado, com a imensa riqueza do subsolo. Como resistir a tamanha oportunidade para mudar de vida? E em que medida este suposto "el dorado" contribui realmente para o desenvolvimento da região? Neste filme ficamos a perceber que a corrida ao ouro que se instalou no Norte de Moçambique tem, na verdade, consequências terríveis para a população. E não apenas para quem se dedica directamente à actividade de mineração, mas também para as comunidades que ali residem e para o meio ambiente.

Moçambique, e em particular a província de Cabo Delgado, tem assistido nos últimos anos a um incremento em relação à exploração de recursos minerais. Dois tipos de actividade coexistem: a indústria extractiva formal (focada principalmente na extracção de petróleo, gás, carvão e outros minerais fósseis) e a mineração artesanal, de pequena escala, informal. O aumento da mineração artesanal está amplamente associado ao subdesenvolvimento do país. Mais de metade da população moçambicana vive em situações de pobreza absoluta, sendo a agricultura a principal fonte de sobrevivência. A escassez de chuvas, as precárias técnicas usadas e as mudanças climáticas têm resultado na redução da produção e na consequente deterioração das condiçōes de vida. A isto se junta o desemprego generalizado, especialmente no seio da juventude e a falta de oportunidades para seguir com os estudos.

Num contexto como este, a arriscada actividade da mineração artesanal apresenta-se como a única saída disponível. Mas as evidências demostram que ela traz consigo graves problemas. Para além do elevado risco de morte por soterramento, a mineração artesanal é realizada em condições de trabalho extremamente precárias e longe de qualquer unidade sanitária. A técnica mais usada para a extracção de ouro envolve o uso de mercúrio, susbstância altamente nociva para a saúde e com elevado potencial poluente. As unidades sanitárias não estão preparadas para dar resposta às emergências e aos problemas de saúde inerentes a esta actividade, e a criminalidade, a prostituição, o trabalho infantil e a violência proliferam. Efeitos colaterais de uma actividade em que para ganhar a vida, é preciso arriscar perdê-la todos os dias.

Desde a sua estreia até hoje o documentário "A Febre do Ouro" já foi exibido em mais de 30 países e galardoado com mais de uma dezena de prémios internacionais. Toda a informação sobre esta produção em https://lafiebredeloro.org/pt-pt/

 

Género: Cinema Documental

Realização: Raúl de La Fuente

Produção: medicusmundi e Kanaki Films

Financiamento: AECID

Apoio à distribuição: União Europeia
 

Publicado a 12/03/20

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